Depressão, Tristeza e Melancolia

Diferenciar a doença “depressão” dos sentimentos de tristeza que a maioria das pessoas enfrenta lá pelas tantas, nem sempre é uma tarefa fácil. Por exemplo, a tristeza que uma pessoa sente ao perder uma pessoa querida não é uma depressão. Se, no entanto essa tristeza impedir o “funcionamento” normal no dia-a-dia ou então estiver causando um grande sofrimento, a coisa muda de figura.
De qualquer modo, esse estado é um sinal de perturbação no estado de harmonia e equilíbrio do organismo, que pode se cristalizar como uma doença ou permanecer em graus mais leves, levando a uma perda significativa na qualidade de vida.
Lembre-se que o estado de depressão ou tristeza não é um defeito de caráter ou de personalidade. Não é sinal de fraqueza. Não é falta de força de vontade para superar suas dificuldades, e ninguém fica deprimido como uma punição por ter feito “algo de ruim” – uma interpretação errada bastante comum.
Independentemente da causa, os sintomas de tristeza e depressão são um novo fator de agressão, formam um “estado tóxico” que retorna ao corpo como um novo problema. Como a pessoa encontra-se debilitada, esse novo problema em geral não encontra solução satisfatória, fechando um ciclo vicioso aonde os próprios sintomas pioram o problema inicial.
O que a depressão afeta?
A primeira área que a depressão afeta é o humor, que na maioria das vezes (mas não sempre) é experimentado como de tristeza, depressão, melancolia, preocupação e desesperança.
As funções corporais no geral estão comprometidas, e são comuns sintomas de perda de apetite e de peso (embora em algumas pessoas ocorra exatamente o contrário), dificuldade com o sono, seja por não conseguir adormecer, ser difícil manter o sono ou ainda acordar mais cedo que o habitual com grande dificuldade em voltar a dormir. Alguns poucos depressivos experimentam o inverso, um aumento nas horas de sono.
A energia, o interesse por sexo, a vontade e a iniciativa em realizar coisas diminuem ou desaparecem. A fadiga é muito comum, e podem aparecer sintomas como boca seca, náusea e constipação (ou às vezes diarréia). Algumas vezes aparecem dores misteriosas que parecem ir de um lugar para outro e desaparecem quando a depressão melhora.
As mudanças no comportamento podem acontecer para o lado da apatia ou agitação. Muitos evitam contatos sociais, mergulhando no isolamento. Algumas pessoas conseguem trabalhar normalmente, mas sentem-se terrivelmente deprimidas, outras, sentem enorme dificuldade em realizar as atividades do dia-a-dia, como tomar banho, vestir-se, comer ou trabalhar. Alguns tentam disfarçar o sofrimento com um sorriso postiço, mas que infelizmente não convence.
As pessoas que estão clinicamente deprimidas, ou as que são apenas mais vulneráveis à depressão, costumam excluir os acontecimentos positivos em sua vida e selecionam os negativos. No geral ficam literalmente ruminando as experiências ruins, que parecem “não sair da cabeça”.
Também têm grande dificuldade em pensar no “longo prazo”, em buscar prêmios e gratificações pelas suas ações no futuro.
Como suas emoções estão bastante comprometidas, preferem ter suas necessidades supridas de imediato. O resultado é que qualquer coisa que demore para acontecer demanda um grande esforço.
De modo geral, pessoas deprimidas são quase sempre perfeccionistas, acreditam que seu comportamento nunca é tão bom quanto gostariam que fosse. Avaliam suas ações com tal nível de exigência que tornam quase impossível alcançar suas metas.
Tendem a avaliar seus resultados em termos de “tudo ou nada”, ou seja, ou o comportamento é absolutamente perfeito ou é um completo fracasso, e com grande freqüência colocam padrões de exigência tão elevados que se torna praticamente impossível atingi-los. A sensação quase que permanente de culpa acaba sendo muito comum. Também tendem a se gratificar de modo insuficiente. Se cumprem o que se comprometeram a fazer, isso significa que nada mais fizeram que não a obrigação, muitas vezes interpretando erroneamente o reconhecimento de seus méritos como “orgulho” ou coisa semelhante. Se não conseguem, logo se punem.
Essas punições em geral são administradas a si mesmas de modo excessivo. Assim, não é de estranhar que pessoas depressivas evitem qualquer coisa, já que seus padrões são muito exigentes, se alcançados provocam pouca recompensa, e se “fracassados” (ainda que isso signifique um sucesso parcial) são severamente punidos.
Por fim, pessoas deprimidas tentem a atribuir erroneamente a origem de seus sucessos e fracassos. O sucesso acontece por conta do acaso ou por ações de outras pessoas, enquanto os fracassos são no geral atribuídos a si mesmas. São comuns também pensamentos de morte e morrer.
Se você está se sentindo assim, procure ajuda profissional. Psicoterapia com medicação produz ótimos resultados.

Por Kátia Horpaczky
Psicóloga Clinica, Psicoterapeuta Sexual, Família e Casal
Contatos: katia@rodadavida.com.br

By |2019-08-19T12:47:26+00:00agosto 19th, 2019|depressão|0 Comments

About the Author:

Leave A Comment