Relações Amorosas Encontros X Desencontros

Relações Amorosas: Encontros x Desencontros

(*) Katia Cristina Horpaczky

Por que nos ligamos a alguém formando um par? Por que buscamos constância no relacionamento com uma mesma pessoa? O que há em nós que nos impulsiona a nos envolvermos? Será isso um instinto que nos dirige sem que nos apercebamos desse fato?

De alguma maneira somos levados a concluir que nosso desenvolvimento é programado tomando por base as ligações afetivas, ou seja, nossa condição de amadurecimento se dá apenas através dos vínculos. Constatamos que nosso primeiro vínculo amoroso surge a partir do nascimento, ou seja, mãe e bebê se relacionam como um único ser.

Ainda, em relação à simbiose, podemos destacar a paixão. Identificamos o apaixonado como alguém que está vivendo intensamente a sensação de um encontro perfeito, no qual não há frustração, tudo é lindo e existe a expectativa de Ter os desejos adivinhados pelo parceiro tal como já ocorreu em sua primeira relação simbiótica.

Vive-se assim até que não seja mais possível manter o sonho ou a fantasia de que se estava em um paraíso. A percepção de que somos separados do outro nos traz angústia pois constatamos a um certo nível que somos sós e precisamos do outro.

Um dos recursos para aliviar essa angústia pode ser o estado de paixão por estarem ligados, com mútua dependência (simbolicamente), porém não se leva em conta a autonomia do outro. Com isso surge outro aspecto na relação afetiva e no vinculo, que é a dependência (falta de autonomia) expondo-o a incertezas e medos.

Não espere o outro mudar

Enquanto permanecemos na expectativa e na espera de mudança do outro, é provável que o outro mantenha a mesma expectativa em relação a nós. O que irá acontecer se esta relação de espera permanecer? Nenhum dos dois mudará.
Muitas pessoas permanecem a maior parte de suas vidas lutando pela mudança do outro e esquecem de si mesma. “Cansei de lutar, para faze-lo compreender isto ou aquilo”.
Neste instante, esta desistindo dela mesma, e do outro. A excessiva preocupação para que o outro mude, pode reverter em dependência (simbiose).

Quando deixamos de nos preocupar com a mudança do outro, devolvemos a essa pessoa a capacidade de pensar e elaborar sua própria vida. Apreender a viver em mútua interdependência. Alguém precisa de você e você precisa de alguém , no entanto, isto não quer dizer que você não saiba tomar conta de sua vida e que não encontre soluções para seus problemas.

Quando estamos tentando fazer com que o outro mude e não conseguimos devemos pensar. O que acontece? Por que não estou conseguindo? De que realmente o outro precisa? Conheço suas limitações? Estou dando o tempo certo ao seu crescimento? O melhor é “não espere o outro mudar, mude você”.
Reveja e análise seu relacionamento com alguém, você espera que o outro mude? Se continuar assim, por quanto tempo mais haverá relacionamento? Normalmente, se cansa em primeiro lugar aquele que insiste em que o outro mude, pois está deixando de atender suas necessidades de mudanças suas perspectivas de vida e deixando de viver.
Mude você mesmo. A mudança ocorre de dentro para fora e com seus próprios esforços.

Quem eu quero não me quer . Quem me quer mandei embora….

Muitas vezes as pessoas estão se perguntando por que estou amando esta pessoa errada? Estará a outra pessoa errada? Ou não estamos percebendo o nosso próprio erro?
Quando um relacionamento amoroso entre um homem e uma mulher acaba e a separação não foi devidamente trabalhada é possível que o inconformismo com a perda não elaborada leve um ou o outro a forçar a reconciliação.
A eminente recusa de qualquer das partes ou insistência de um dos dois, poderá levá-los à conclusão: “Quem eu quero não me quer”.

As perdas mal elaboradas de nossa infância emergem do nosso inconsciente invadem nossa consciência e as re-vivemos. Parece que há uma regressão neste estágio dos acontecimentos. Em alguns casos, conteúdos de abandono e rejeição emergem e tendem a persistir por algum tempo.
O ato de ser amado é muito sublime, mas se um homem e uma mulher resolvem se separar é preciso uma preparação com compreensão e aceitação do fato que esta acontecendo.

É possível separar-se bem. A compreensão consiste em saber que a decisão da vida do outro cabe somente a ele.
Encontrar defeito no outro é apenas uma forma cômoda e falsa de tentar esquece-lo. Procure as qualidades mesmo que seja para descobrir que você não as soube valorizar. Este é um momento de aprendizagem. Respeitar a decisão do outro em nos deixar é um ato de sabedoria e muita coragem.
Se alguém persiste em querer quem não o quer, esta se machucando, se mutilando. Essa pessoa precisa se acariciar e amar a si mesma. A felicidade não é uma conquista, é um direito do ser humano. Na busca de felicidade nos deparamos com obstáculos, medos, fobias, mas nestes momentos, o sofrimento pode ser amenizado pela conexão com o que é real.
Você é um ser de amor, portanto tem o direito de amar e ser amado.

(*) KATIA CRISTINA HORPACZKY

Autor: | 2018-04-17T14:25:38+00:00 abril 17th, 2018|Relacionamentos|0 Comentário

Sobre o Autor:

Deixe um Comentário